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Parte do Pacífico já registra anomalia de El Niño, mas fenômeno ainda não está oficialmente declarado; entenda

Risco de super El Niño existe, mas especialistas pedem cautela O Oceano Pacífico deu nesta última segunda-feira (20) o primeiro sinal concreto de que o El Ni...

Parte do Pacífico já registra anomalia de El Niño, mas fenômeno ainda não está oficialmente declarado; entenda
Parte do Pacífico já registra anomalia de El Niño, mas fenômeno ainda não está oficialmente declarado; entenda (Foto: Reprodução)

Risco de super El Niño existe, mas especialistas pedem cautela O Oceano Pacífico deu nesta última segunda-feira (20) o primeiro sinal concreto de que o El Niño está realmente se aproximando. Pela primeira vez em 2026, a temperatura da superfície do mar na região central do Pacífico equatorial — a faixa usada como referência oficial para identificar o fenômeno — atingiu o limiar mínimo que caracteriza o aquecimento. Mesmo assim, o El Niño ainda não está declarado, e entender por quê isso acontece exige uma explicação sobre como a ciência monitora o oceano. 🌊 ENTENDA: O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico. O fenômeno acontece com frequência a cada dois a sete anos. O Pacífico não é medido como um bloco único. Agências climáticas acompanham separadamente diferentes faixas do oceano equatorial, cada uma com um nome. A mais importante para declarar o El Niño é chamada de Niño 3.4, uma região central que serve de termômetro oficial do fenômeno. Nesta semana, ela registrou anomalia de +0,5°C — exatamente no limite mínimo. É a primeira vez desde 1° de maio de 2024 que essa zona do oceano chega a esse patamar. Naquela data, o Rio Grande do Sul vivia o auge das enchentes provocadas, em parte, pelo superaquecimento do Pacífico nos meses anteriores. Mas uma semana no limiar não é suficiente para declarar o fenômeno. Para que o El Niño seja oficialmente reconhecido, essa anomalia precisa se manter por várias semanas seguidas, acompanhada de mudanças correspondentes na circulação atmosférica. Por enquanto, há apenas esse primeiro registro. Mas a tendência, de acordo com meteorologistas, é de que o fenômeno esteja plenamente configurado em meados de maio ou, no mais tardar, em junho. Mapa global mostra anomalias da temperatura da superfície do mar, com predomínio de águas mais quentes em várias regiões — sinal monitorado para o El Niño. NOAA Coral Reef Watch Há ainda uma camada a mais de complexidade na leitura dos dados. Desde o início deste ano, a NOAA — a agência climática americana — passou a usar um índice diferente para fazer o cálculo oficial. O novo método desconta o aquecimento geral dos oceanos do planeta antes de medir o Pacífico, para separar o que é El Niño de verdade do que é simplesmente o novo padrão de mares mais quentes impulsionado pela crise climática. Por esse critério mais rigoroso, o valor mais recente ainda é negativo — tecnicamente dentro do território da La Niña, o fenômeno de resfriamento que está perdendo força desde o início do ano. Apesar disso, todos os sinais apontam na mesma direção. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos emitiu um alerta formal de que o El Niño está a caminho e estima em 61% a probabilidade de o fenômeno se consolidar entre maio e julho, com tendência de durar pelo menos até o fim de 2026. As camadas mais profundas do oceano vêm ainda acumulando calor de forma consistente desde dezembro e esse reservatório de energia tende a subir para a superfície nas próximas semanas, acelerando o processo. A intensidade do que está por vir, contudo, ainda é incerta. Como mostrou o g1, as previsões para o fim do ano apontam chances quase iguais de um evento moderado, forte ou muito forte — e há uma probabilidade em quatro de que seja um dos El Niños mais intensos já registrados. Para o Brasil, o fenômeno costuma trazer chuvas acima da média no Sul e períodos mais secos no Norte e no Nordeste, mas os impactos concretos dependem de quando e como o El Niño atinge seu pico nos próximos meses (saiba mais ABAIXO). COP30 - Como a floresta produz chuva? 🌎 O que é o El Niño — e por que ele importa tanto O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador. Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta. Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos. O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global. A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado. El Niño ilustrado no globo terrestre. NOAA 🌧️ Possíveis impactos no Brasil Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa: aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos; redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste; mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste; maior frequência de ondas de calor. Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão. Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima. Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta. El Niño e La Niña Arte g1/Luisa Rivas LEIA TAMBÉM: Pesquisadores usam 'raios artificiais' para transformar gás natural em combustível menos poluente; entenda Chuva forte atinge Norte, Nordeste e Sul; calor e tempo firme predominam no Sudeste e parte do Centro-Oeste Por que governo da Colômbia vai sacrificar 80 hipopótamos de Pablo Escobar Veja os vídeos que estão em alta no g1